quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Diário de Miguew Kagado 17/04/2012




A natureza é destruída em escala industrial. O planeta convive com uma nova forma de subexistência, a existência artificial. até então, os supermercados vendem sucos de frutas em "cascas" plásticas metalizadas, comprados e levados para o lar em sacolas, também, plásticas que vão para o lixo; o lixo para rua e com , suposta, sorte é recolhido para o aterro.
Contribuir com a destruição do planeta é o motivo de viver de todo bom cidadão, pagador de impostos, educado para servir. A escola te diz: queira o melhor para si. Desde que não queira dela.
O ser humano gira como "barata tonta". O mundo gira como um ovo crú na beira da mesa. Uma pequena parcela da população preocupa-se com o bem estar da natureza. O planeta é consumido por incertezas, e dentre elas está a vida.
Viver tem relação com conjuntos de inesgotaveis substâncias. A realidade é uma particularidade coletiva quando o assunto é sobreviver.
Modificar-se. Certa vez em uma caixa havia nada. Passei, então, a contemplar aquele mistério, o nada, percebi em sua existência minhas angustias mais inquietantes; minhas incertezas tortuosas. Decidi, então, por abri-la. Seu contato com uma nova realidade a fundiu com tudo que supostamente estava fora. Percebi que no momento em que a caixa se abriu, o "fora" a invadiu. Não era a caixa que estava vazia era eu que estava olhando do lugar errado. Talvez, assim seja essa batalha do homem versus natureza. O problema persiste por olharmos do lugar errado.

Diário de Miguew Kagado, 08/09/2011



Outro dia disfarçado de pessoa, vesti meus trapos mais finos e delicadamente chamei o caralho da minha mulher pra fazer meu café. Já eram três horas da manhã e eu estava com fome. Foi inegavel a satisfação e sorriso com que ela atendeu meu pedido. Satisfeito e forrado disputei corrida na rua com os cães sem dono, percebi que em um ano fazendo tal exercício poderei trabalhar todo dia revitalizado.´
No trabalho fruto de toda minha fartura compreedi a alegria de meu chefe que sonha todo dia com minha chegada meia hora mais cedo, logo, diz ele, poderei cortar o dinheiro do teu transporte para tristeza de minha mulher que não terá mais de fazer meu café pela manhã.
Vou dormir para amanhã trabalhar melhor, mais rapido e por uma ração mais justa, boa noite!

Diário de Miguew Kagado 25/11/2011















Vestido de gente comprometi minha sanidade insana quando deparei-me com folhetos cristãos espalhados pela calçado. Na minha bolsa o lanche reforçado que minha bela esposa preparou. Colocado delicadamente dentro de uma vasilha de manteiga suja da mesma, felizmente, se não iria comer pão puro. Pão esse que me lembra muito meus tempos de menino, quando roubava o padeiro, que com quinze anos descobri que não roubava nada, quem roubava era ele e minha mãe quando eu estava na escola.


Sentado felisíssimo na sargeta percebi uma procissão de irmãos pregadores que caminhavam em direção de meu pão, desgraçadamente percebi a afronta e recolhi o saboroso para bolsa sem vasilha nem nada. Os tão amaveis arlequins do senhor, devoravam-me com os olhos. Eu vi em suas frontosas faces os cantos dos olhos saltarem em minha direção, a saliva que escorria e salpicava de suas bocas oradoras. Filhos da Puta. Querem meu pão. Lenta mas habilidosamente sentei sobre a bolsa e de lá sorria um sorriso amarelo de fome.


Maldosamente despertei meus "instintinos" mais selvagens e meu corpo se transformou em um animal ruidoso e "estalataloso". Os olhos dos irmãos encheram-se de lagrimas e tristeza, cosei minha barba e dei aquele sorriso dourado que causa alegria em qualquer plano odontológico, mas pareceu não ser suficiente, então mergulhei meus dedos de estivador aposentado e comecei a arrancar os cabelos rebeldes de meu nariz. Nada parecia funcionar, mas eis que chega uma KOMB branca onde os irmãos fazem fila. Um deles me chama fico um pouco apreensivo mas caminho até ele com a certeza que terei de dizer-lhe algo que o faça desistir de meu café-almoço-janta ou seja o PÃO.


E com toda paciência do mundo lhe disse:


- Amigo! sou professor de escola pública tenho de trabalhar em três empregos para sustentar minh...


Enterrompendo-me ele me oferece uma marmita. Não gosto de tirar vantagem das pessoas, então não pude aceitar. Jamais trocarei o café-almoço-janta que minha mulher prepara para mim nem pela melhor marmita do mundo, ela faz questão de acordar antes de mim para preparar meu pão.


EU A AMO.