terça-feira, 31 de maio de 2016

Coragem é um Fogo ancestral

Ocupa Mestre 70: Coragem é um fogo ancestral


Temos o dever de ser quem somos.

"Coragem é enfrentar essa sociedade armados de dança, batuque, canto, cortejo, poesia... ARTES"

"Pra ser feliz de verdade
é preciso encarar
a realidade
e meu conforto
Da vida só me tiram morta"

"Coragem é deixar meus privilégios de lado, mesmo sendo poucos, para contribuir ativamente em causas que transformam a sociedade, onde de fato seja igual para todos e todas"

"A coragem que tenho hoje me fortalece"

"Coragem é despir das suas certezas".

"Quem vive mais do que morre para mim é corajoso".

"Coragem é você não poder ocupar os espaços públicos com seu corpo, por ele ser confundido com algo, também público e mesmo assim ocupar".

"Coragem é está perdido, mas permanecer pelos suspiros das tuas e teus".

Temos o dever de falar, assim como temos o dever de ouvir.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Acampamento Mestre 70: dentro da taba a vivência é colaborar


Sentado sobre uma porta abalada pelo tempo curto a energia do dia fascinante que foi o hoje. O espaço cultural Mestre 70 incorporou o clima da comunidade, que fez da sua felicidade a nossa felicidade. A resposta que tanto era esperada. Nossas vidas reavivaram a comunidade que já havia esquecido os motivos que levantaram o Espaço cultural mestre 70.
O local que era visto como covil de ladrões e usuários de drogas agora é uma fantástica "Taba" onde diferentes linguagens artísticas comunicam a comunidade do Guamá a desnecessidade de partidarismos românticos para que a vida político cultural de uma comunidade aconteça.
Nossa ação jamais vai acabar com a importância de organizações coletivas anteriores, mais vai contribuir para que a periferia pense e discuse suas reflexões ante a vozes e compreenda o argumento coletivo.
Somos todos no acampamento mestre 70 muito felizes ao participar da felicidade da comunidade. Estamos um grão de areia num contexto de luta que jamais desfaz das lutas anteriores, pois somos frutos em amadurecimento dessas lutas.
Quantas pessoas da comunidade foram entrevistadas e todas achavam que nossa intenção era a posse do local, mas essa jamais será nossa intenção, nossa intenção está vestida de cultura e das artes discutidas por todos.
Se existe um líder no acampamento, esse líder chama-se cultura e seus ministros são as artes, nós do acampamento mestre 70 estamos seus colaboradores.
Nossa enorme "Taba" ontem se reuniu em diferentes núcleos para comemorar e que mesmo separados felicitavam-se por mesma vitória.

O espaço cultural mestre 70 espera por artistas livres cansados de discursos partidaristas. Precisamos de 10% de você e 100% de sua arte.

Se você está lendo isso sinta-se um ocupante.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ACAMPAMENTO MESTRE 70: enquanto houver vida viverei



A comunidade sempre esteve presente no espaço Mestre 70. Presente no futebol do fim da tarde, nos namoros adolescentes e nas mães passeando com seus menores.
Mestre 70 foi abandonado apenas pelo poder público, que desacredita das propostas culturais da comunidade, desacredita sua sensibilidade em existir. Em educar e educar-se.
A periferia possui atmosfera cultural própria. Sua alegria é contagiante. Seu futebol de molecagens misturado a uma juventude cheia de adultices. Juventude criminalizada por propostas culturais externas que romantizam projetos educativos. Projetos que ignoram a relação da comunidade com seu contexto.
É pouco mais de uma década dentro da escola, limitados a processos culturais que desmerecem a vida da comunidade.
A escola ensina a dizer o que é e o que não é e nesse caminho ensina desrespeitos. As comunidades da periferia do Guamá são constantemente abandonadas e criminalizadas por sua autonomia cultural.
Mestre 70 é há tempos um espaço comunitário. O bairro do Guamá o acolheu da mesma forma que uma mãe acolhe um filho. Sem julgamentos, cuidando, alimentando-o com diálogos e momentos de reflexão.
Acampamento Mestre 70: cultura e artes busca fortalecer esse acolhimento como colaborador ao se oferecer a comunidade e traz consigo um balaio de propostas para ações culturais.

O espaço cultural Mestre 70 espera por artistas livres cansados de discursos partidaristas. Precisamos de apenas 10% de você e 100% de sua Arte.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Acampamento Mestre 70 - Chamado para dias de Luz

ACAMPAMENTO MESTRE 70: Cultura e Artes


Sempre acreditei na possibilidade de movimentações populares libertas de grupos partidaristas. Grupos de consciência livre, com vontade, coragem e comprometidos culturalmente entre si.

Avaliar a proposta de ação "Acampamento Mestre 70: cultura e artes" fortalece o conteúdo artístico das periferias de Belém, em especial o bairro do Guamá, onde os grupos populares resistem de forma coletiva. Grupos de diferentes linguagens artísticas mais que discursando estão vivendo suas crenças, todos responsáveis e capazes de erguer-se para essa luta possível.

A quadra de esportes do espaço Mestre 70 incorporou uma imensa "Taba" onde grupos de linguagens artísticas distintas passaram a discutir, votar e argumentar sobre a importância de políticas culturais que revivam o espaço rico em possibilidades. Espaço que existe numa comunidade com histórico sócio-político-cultural que se engrandece no dia-a-dia possível e impossível.

As pessoas devem perguntar-se sobre o motivo de uma luta cujo o governo já levantou bandeira de vitória. Falta compreender que o governo só é vitorioso ante o conformismo e o silêncio.

Há silêncio no Acampamento Mestre 70, o silêncio que opressor algum vai conseguir calar, pois essa é a verdade no coração do oprimido cansado de sua condição.

Aquele que avalia de modo amoroso toda virtude existente naquele que se levanta depois de jogado ao chão, esse também é um ocupante.

O Espaço cultural Mestre 70 convida a todos que queiram colaborar e tornar rico o contexto do bairro do Guamá.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

BOB MARLEY: uma visão de mundo


Manifestações em defesa da emancipação do terceiro mundo. Campanhas para promover o turismo na Jamaica. Passeatas antirracismo. Os protestos pela legalização da maconha são apenas detalhe na vida do musico que cantava para o amor e o amor retribuía com Paz.

Por Myke Zirrô

É horizontal o grito de  Robert Nesta Marley filho de Cedella Nesta uma jovem de 17 anos que engravidou de Norval Marley, um branco que trabalhava para o governo. Norval casou-se com Cedella para abandona-la no dia seguinte ao casamento, antes mesmo do nascimento de Robert que assim começa sua carreira.
Sua música urbana denuncia a desigualdade entre ricos e pobres. Aos 7 anos mudou-se com a mãe para um favelão na capital Kingston. Cresceu nas ruas, jogando bola e fazendo música numa guitarra improvisada.
Se dependesse de Cedella, Robert seria um feliz operário da indústria de autopeças jamaicana, mas seu coração vibrava ao ritmo do Ska, o som que fazia ferver a ilha do Caribe.
Em 1962 fez sua primeira gravação em estúdio e logo depois já estava tocando e compondo com Bunny Livingston e Peter Tosh.
Formaram o grupo The Wailers e conseguiram algum reconhecimento tocando a música Judge Not.
É a busca de seu sonho que Robert partiu direção aos Estados Unidos e deixa para trás Rita Marley com quem acabara de se casar. Na América descobriu sua falta de vocação para indústria e percebeu que trabalho braçal para ele era tocar violão.
Quando se fala de Robert Nesta Marley, há uma associação ao uso de maconha, mas o seu repertório de liberdade é bem mais amplo. A prova disso é percebida em suas músicas. As letras são pedidos de Paz, respeito, paciência com o próximo. É incoerente chamar de luta, pois dizer que Bob travou lutas pela Paz torna o termo Paz um tanto hipócrita.
A figura de Bob Marley é destaque em protestos antirracistas, pois ilustra camisetas, botons e inúmeros outros apetrechos. Sua música foi muito influenciada pelos projetos de pesquisa sobre relações raciais organizados pela Organização das nações unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO) na década de 1960, Bob sempre esteve presente enquanto ouvinte nas palestras. A origem deste projeto estava associada à agenda antirracista formulada no final dos anos 1940 sob o impacto do racismo e da Segunda Guerra Mundial. Influenciado pelos debates Bob constrói seu próprio discurso e desconstrói nações.
A imagem de Bob Marley associada a esse tipo de manifestação é fundamental para fortalecer o conteúdo de suas músicas que falam dos fatores econômicos, sociais, políticos, culturais e psicológicos favoráveis ou desfavoráveis à existência de relações harmoniosas entre raças e grupos étnicos.
Viver e cantar o terceiro mundo, esse é o conteúdo marcante na vida e obra de Bob Marley e é comum encontrar seu rosto estampado em bandeiras pedindo a emancipação do terceiro mundo na luta de movimentos sociais espalhados pelo mundo. Gostaria de poder dizer que Bob Marley calou a boca da ignorância e covardia, mas isso foi exatamente o que ele não fez. Ele os fez cantar e dançar em nome da Paz e do Amor sem entender que era isso que estavam fazendo.
A história da Jamaica é profundamente trágica, pois seus habitantes nativos, o povo Arawake. Exterminado pelos europeus. Toda expedição colonizadora que chegava a ilha dizimava uma parte da população, Ingleses, franceses e espanhóis.
Os colonizadores espanhóis dedicaram pouca atenção a ilha pois essa não produzia ouro, o que fez a ilha virar posto de abastecimento e com o extermínio da população nativa, começou a entrada de escravos negros sequestrados da África para servirem de mão de obra.
Bob Marley deu um outro som a Jamaica e principalmente ao seu povo, depois de Bob os nativos passaram a ter orgulho de sua cultura. O turismo ganhou um novo significado e o povo jamaicano um mito para todo o sempre.



Referência bibliográfica

A questão racial na década de 50.

História da Jamaica. https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Jamaica. Acesso em: 30/ 04/ 2016

Terceiro Mundo. https://pt.wikipedia.org/wiki/Terceiro_Mundo. Acesso em: 30/ 04/ 2016

GWERCMAN, Sérgio. O Rei Leão Bob Marley. Aventuras na História para viajar. São Paulo (SP), ed. 5, p. 20- 27. Jan/ 2004