quarta-feira, 27 de julho de 2016

Escola, tira essa mascara



A escola é o local onde o conhecimento é transmitido de forma democrática, igualmente para todos os alunos. Aparentemente.
O sociólogo francês Pierre Bourdieu que viveu até o inicio deste século (2002┼), percebeu que o ensino não é transmitido da mesma forma para todos os alunos como a escola faz parecer. Segundo Pierre Bourdieu alunos pertencentes a classes sociais mais favorecidas trazem de berço uma herança que chamou Capital cultural, ou seja, capital de cultura.
A cultura são valores e significados que orientam e dão identidade a um grupo social. Já o capital cultural é uma metáfora criada por Bourdieu para explicar como a cultura na sociedade dividida em classe se transforma em moeda que as classes dominantes utilizam para acentuar as diferenças. A cultura se transforma em instrumento de dominação. Além disso, as classes dominantes impõem as classes dominadas sua própria cultura dando-lhe um valor incontestável. Apontando-a como cultura boa.
Bourdieu chama essa dinâmica de arbitrário cultural dominante que seria o fato de uma cultura se impor diante de outra. A mais importante contribuição de Bourdieu para educação foi à transposição dessa ideia para dentro da escola. A escola contribui para que a cultura dominante seja articulada favorecendo alguns alunos em detrimento de outros. Os desfavorecidos são justamente os alunos que não tiveram contato mediado pela família ao capital cultural, o que faz com a classe menos favorecida não consiga dominar os códigos que a escola valoriza. O aprendizado para eles é muito mais difícil.
Boudieu entende que a escola marginaliza os alunos das classes populares e privilegia os alunos dotados de capital cultural, por esse motivo o discurso de igualdade da escola não funciona na prática.

A escola enfatiza as diferenças ao cobrar dos alunos a cultura comum apenas à classe dominante. A escola elabora currículos que valorizam disciplinas comuns à classe dominante o que reforça a dominação de classe. Pierre Boudieu acreditava existir saída para a violência simbólica, basta tornar explicito todo esse funcionamento velado da instituição.

Referência bibliográfica

UNIVESPTV. Educação e sociedade: capital cultural. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=W41rpXfllCY&index=1&list=PLJc9tjsZdxlWKpQTtfSLdHAM19T5DXdpG. Acesso em: 18 Jul. 2016