quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Professor de merda nenhuma

Quantos já foram os assediados moralmente por seus educadores? No âmbito familiar, no ambiente religioso, nos ambientes não-formais e no ambiente formal. E é no ambiente formal que este texto vai organizar e potencializar reflexões sobre escolas, faculdades e universidades. E quantos são os estudantes assediados no tempo dessas palavras?
O estudante discorda de discursos com potencial racista ou classista de professor “A”, o estudante posiciona sua opinião para o professor “B” sobre homofobia, o posicionamento político ou religioso de “C”, entre outros casos.
Não é visível a todos, utilização por parte de professores, processos administrativos para castrar a opinião de alunos, pois este é um modelo branco de assedio. Alguns professores são diretos e durante seu discurso posicionam-se dentro de uma hierarquia que foge a posição do estudante, pois desde seu acesso à escola é ensinado a calar-se diante do protagonista do saber. O professor.
No âmbito acadêmico temos professores com os mais distintos posicionamentos sócio-histórico-político-culturais e estes são escritores como há de ser. No entanto, existem dois discursos em alguns professores. O primeiro é o discurso ideal, é todo aquele pronunciamento feito diante de um grupo, classe ou comunidade para agrupar-se ou [re]afirmar pertencimento. Professores com este discurso ideal em muitos casos não representam esses discursos, pois suas atitudes vestem o discurso de falácia. Um professor, por exemplo, com atitudes homofobicas que fala de liberdade sexual ou um professor que levanta bandeiras de luta popular que acredita que o pobre tem que se colocar no seu lugar. O segundo é o discurso real. Esse real não é real de realidade, mas de realização, este discurso é um discurso físico, pois o sujeito o representa com atitudes coerentes as palavras do discurso. Suas ações significam e potencializam suas palavras.
Esse professor real é o modelo de resistência? Claro que não. Assim como há professores com o discurso real que compreende as lutas populares, os movimentos raciais, os movimentos feministas, GLBT e tantos outros focos de resistência contra a criminalização, principalmente, de jovens negros de periferia. Há o oposto. O professor com discurso real de atitude reacionária.
É dever do estudante identificar esse discurso e opor-se, pois o silêncio é uma forma de cumplicidade. Não é possível encontrar instituição que possa punir esse tipo de discurso, no entanto o que pode ser feito é ignorar os trabalhos acadêmicos escritos por esse tipo de educador. Se o estudante continua utilizando esse tipo de professor como referência para seus trabalhos, significa que esse discurso o representa e as atitudes de seu escritor também.


HIPOCRISIA, ESSE DISCURSO NÃO ME REPRESENTA.